Quarta-feira, Junho 29, 2005

Primeiras noticias de Londres

Muitas coisas aconteceram nessa última semana. Várias coisas deram errado (a gente já está se acostumando), mas algumas deram certo, e mais uma vez a gente teve que tomar decisões importantes. Vou tentar resumir tudo.
Quando nós decidimos vir pra Londres, tínhamos em mente que as coisas não iriam ser fáceis. Nosso plano era que eu começasse a trabalhar o mais rápido possível, para que nós pudéssemos entrar com o pedido do visto pro Ricardo poder começar a trabalhar. Esse visto, de acordo com as informações que tínhamos, demoraria de três a quatro meses para sair.
Chegando aqui em Londres tentamos entrar em contato com uma advogada que costuma fazer esses pedidos de visto para o Home Office, entidade que trata desses assuntos de visto aqui no Reino Unido. Como não conseguimos falar com essa advogada, mesmo ligando várias vezes no dia, decidimos tentar contato com outra.
Fomos direto no escritório dela, e conseguimos um horário. Tivemos que pagar 50 libras só para a consulta, e teríamos que pagar mais 250 se fôssemos seguir o processo com ela. Mas depois das informações que ela passou pra gente, pensamos que esse gasto extra não seria necessário... Ela jogou um balde de água fria nos nossos lindos planos.
Esses países que entraram mais recentemente na União Européia têm algumas restrições aqui no Reino Unido. Para que o marido ou a esposa possa pedir o “Family Permit” para o cônjuge, já tem que estar trabalhando aqui há um ano. Ou seja, se antes eu teria que trabalhar três ou quatro meses “sustentando a casa”, agora seria pelo menos um ano e três meses, resumindo: impossível.
Dias antes de vir pra Londres nós quase desistimos e voltamos pro Brasil. Principalmente porque a gente nunca se imaginou morando em Londres. Nossa intenção era morar numa cidade pequena, com menos gente, afinal foi por isso que a gente saiu de São Paulo. Mas ao mesmo tempo tinha a saudade das nossas famílias, amigos, cachorros, gatos, chinchilas, e todos os hábitos que a gente criou no Brasil.
Essas notícias que a gente recebeu, quase foram o empurrãozinho que faltava pra gente voltar. Mas a gente tinha que ser realista. Tínhamos que escolher o que seria melhor pra gente a longo prazo. Porque sabíamos que voltando para o Brasil as coisas também não seriam muito fáceis.
Pensamos muito, discutimos, conversamos e decidimos que o melhor pra nós agora seria: eu ficar aqui em Londres, e o Ricardo voltar para o Brasil. Assim, eu consigo juntar um dinheirinho, que com certeza vai ser muito útil pra gente começar a nossa vidinha no Brasil, e o Ricardo começa a trabalhar e juntar algum também.
Isso decidido, era hora de procurar um emprego. Demos uma passadinha na loja do Subway - que eu tinha trabalhado - pra comer um lanche, e eu acabei saindo de lá com um emprego.
Como eu sei que lá não paga muito, continuo procurando em outros lugares. Já deixei vários currículos, mas sei que em geral nada acontece. Mas não dá pra desistir.
Comecei a trabalhar na segunda-feira, agora estou concentrada em encontrar um quarto pra alugar. O Ricardo deve ficar aqui até que eu consiga acomodação.
Vai ser um período difícil pra gente. Mas a gente espera que no final das contas valha a pena.

Segunda-feira, Junho 20, 2005

Varsóvia + Novidades quentinhas

Começamos o dia cedinho indo tomar café da manhã no McDonalds, que ficava pertinho do museu que gostaríamos de visitar primeiro, o Museu Militar.
Nesse museu pudemos visitar desde espadas, escudos e armaduras medievais até tanques e helicópteros usados na Segunda Guerra Mundial.
De lá, seguimos de ônibus para outra parte da cidade onde tínhamos uma série de monumentos que gostaríamos de visitar.
Primeiramente fomos para a Prisão Paviak, que foi construída por volta de 1830, mas ficou mais conhecida durante a ocupação Nazista, quando era usada para prender poloneses e judeus.
De lá fomos para o Monumento Umschlagplatz, que foi erguido em 1988 e marca o local de uma antiga estrada de ferro. Foi através dela que algo em torno de 300 mil judeus foram enviados do Gueto de Varsóvia para morte quase certa nos campos de concentração.
Seguimos, então, para o Monumento aos Heróis do Gueto. Este foi erguido em 1948, quando a cidade de Varsóvia ainda estava em ruínas. Esse monumento marca o desafio do Levante do Gueto de 1943 que foi planejado não almejando a liberdade, mas como uma forma honrada de morrer.
Nossa próxima parada seria o Monumento ao Levante de Varsóvia de 1944, mas no caminho demos uma passadinha no Jardim Krasinski, onde situa-se o Palácio com o mesmo nome.
O Monumento ao Levante de Varsóvia foi inaugurado em 1989, e homenageia os heróis do histórico movimento. Foi em frente a essa escultura que, durante as comemorações dos 50 anos do levante, o Presidente da República Federativa da Alemanha, Richard Herzog, se desculpou à Polônia pelos horrores da Segunda Guerra, iniciada pelo Terceiro Reich, e pela sangrenta supressão ao Levante de Varsóvia.
Saindo de lá fomos dar uma volta pelo centro da cidade nova, e pela cidade velha. Como era sábado todos os lugares estavam bem cheios de turistas.
Tiramos o domingo para visitarmos um lugar que todo mundo aconselhou que conhecêssemos, o Wilanów. Um parque enorme, lindo, que tem um palácio mais bonito ainda.
Chegando lá, fomos logo na direção do palácio, qual não foi a nossa decepção quando o vimos quase todo coberto de tapumes. A fachada dele está sendo restaurada, por isso não conseguimos grandes fotos dele. No entanto passeamos bastante pelos jardins barrocos e ingleses.
Num determinado momento do nosso passeio chegamos em um rio, ou lago, sei lá, e vimos algumas pessoas passeando em barquinhos. O Ricardo mais do que depressa se empolgou com a idéia. Fomos lá e alugamos o barquinho por meia hora. O problema é que ele nunca tinha remado na vida, e eu posso dizer que os primeiros minutos foram... emocionantes. Ajudei como pude, passando a parte teórica que eu sabia, e no final rimos bastante da situação.
O dia começou a ficar nublado, e achamos melhor tomarmos o rumo do albergue para pegarmos nossas coisas e voltarmos para Cracóvia.
Para ver as fotos de Varsóvia clique aqui.

Desde que voltamos para Cracóvia, temos aproveitado o nosso tempo aqui na cidade da melhor maneira possível, afinal sabemos que vamos sentir muita saudade daqui. Digo isso porque estamos indo embora daqui, rumo a Londres.
(Eu e o Ricardo estamos indo pra Londres. O Yuri vai ficar aqui com o Felipe, até já alugaram outro apartamento, menor e mais barato.)
O fato é que as coisas não deram tão certo quanto a gente esperava. Arranjar emprego sem falar a língua é tarefa impossível mesmo. Acho que a gente só acreditou nessa hipótese, porque a nossa vontade de ficar aqui era tão grande que nos deixou cegos, ou então foi ingenuidade nossa mesmo.
Estamos indo pra Londres por vários motivos. Primeiro: como a gente fala a língua vai ter mais chance de arranjar emprego. Segundo: tem um amigo do Ricardo que está lá e que vai dar uma forcinha no começo. Terceiro: a gente já esteve lá, já conhece a cidade e como ela funciona.
A gente não sabe se vai ficar lá duas semanas, seis meses ou cinco anos. Tudo depende de como as coisas irão acontecer. O que a gente sabe é que tem um sonho, que não está nada fácil de realizar, mas que a gente vai continuar correndo atrás. E se tudo der errado, a gente volta pro Brasil com mais experiência de vida, e com a certeza de que a gente fez tudo o que estava ao nosso alcance. E não seria tão ruim voltar para o lugar onde a gente nasceu, cresceu, onde estão nossas famílias, amigos, e onde bem ou mal, estão a maioria dos nossos costumes e manias.
Acho que esqueci de mencionar que estamos indo pra Londres amanhã, quer dizer, em algumas horas. Então o próximo post já será de lá.

Quarta-feira, Junho 15, 2005

O dia do casamento

O título desse post poderia ter sido: “O dia que tudo deu errado”, afinal, foi um dia difícil... Pelo menos até a hora do casamento... Mas vou contar tudo com calma.
Chegamos em Varsóvia pouco antes das 11 hs e seguimos direto para o albergue. Chegando lá, fizemos o check-in e fomos tomar um banho pra ficarmos arrumadinhos para o casório.
Eu, que era a noiva, já estava pronta e o Ricardo ainda estava se vestindo. Quando ele colocou a calça, percebeu que não seria possível utilizá-la. Não sei se foi ele que cresceu ou a calça que encolheu, mas o fato é que ele estava parecendo o “Chaves”, com aquela calça curtinha.
O casamento estava marcado para às 16 hs, mas nós tínhamos que chegar mais cedo para conferirmos os papéis. Como ainda eram 13:40, teríamos tempo suficiente de dar uma passadinha na C&A que ficava no caminho, para comprarmos uma calça para o noivo.
Estávamos indo de bonde, que ia direto do albergue para a Embaixada, passando do lado da loja. Quando estávamos quase chegando na lá, vimos um monte de carros de polícia, mas muitos mesmo. E ninguém pôde descer do bonde naquele ponto. Tivemos que descer um ponto à diante, e ainda demos a maior volta para chegar na loja, porque boa parte do centro estava isolado. Ouvi alguém dizer que era ameaça de bomba na estação central do metrô, mas depois li no jornal que na verdade era ameaça de gás sarim.
Conseguimos comprar a calça e seguimos de bonde para a Embaixada. O ponto fica um pouco distante do prédio em si, mais ou menos uns 300/400 metros. Eu já tinha perdido a conta de quantas vezes eu tinha virado o pé, provavelmente perdi o costume de andar de salto, ou então a pressa mais as calçadas com buracos não estavam ajudando. Mas quando estávamos no meio do caminho eu virei o pé de novo e arrebentei a sandália. Juro que me deu vontade de chorar. Não sabia o que fazer. Se ia descalça... Mas eu não iria me casar descalça. Se ia andando até a Embaixada com a bota do meu irmão... Imagina que linda, de saia, blusinha, e bota!
Pedi pros meninos darem um jeito de achar uma loja de sapatos, nem que eles tivessem que criar uma loja lá naquela hora. Enquanto eles procuravam a loja de sapatos, acharam uma floricultura e compraram uma florzinha pra mim de presente de casamento. Pouco depois acharam a loja de sapatos. Fui andando descalça mesmo, escolhi uma sandália, que não tinha nada de especial, mas na minha situação estava o máximo, e saí da loja com ela nos pés.
Finalmente conseguimos chegar na Embaixada. Todos lá já estavam desesperados com a nossa demora. Pouco depois chegaram a minha avó, o meu avô e o filho dele, o Radek, que deu uma mãozinha pra gente quando nós estávamos chegando na Polônia.
Matamos um pouquinho a saudade, porque fazia mais ou menos quatro anos que eu não os via. Pouco depois subimos para a sala da Embaixada que tinha sido preparada para a cerimônia.
As pessoas da Embaixada que realizaram a cerimônia estavam visivelmente nervosas, mais do que os noivos, afinal era o primeiro casamento que eles estavam realizando, enquanto que eu e o Ricardo já estamos juntos há dez anos, e não tínhamos motivo algum para nervosismo.
A cerimônia correu muito bem. Com direito aos “sim” em alto e bom som, e o famoso “eu os declaro marido e mulher”, como em todo casamento...
Depois da cerimônia, e de agradecer ao pessoal da Embaixada toda a ajuda que eles nos deram nessa etapa, eu o Ricardo, os meninos e meus avós fomos comemorar o casamento no maior estilo paulistano: num shopping. Fomos lá para jantar e colocar os assuntos em dia. Falamos dos nossos planos para o futuro, e de quais serão os nossos próximos passos. (Mas isso é história pra outro post)
Depois disso voltamos para o albergue, onde o nosso quarto lotado nos aguardava...
Quem quiser ver as fotos do casamento clique aqui.
Para quem tiver paciência de ver um videozinho do casório clique aqui.

Terça-feira, Junho 14, 2005

Trójmiasto

Eu sei que prometi contar um montão de novidades nesse post, mas gostei de fazer suspense. Além do mais, o post passado, com as notícias surpresa, bateu recorde de comentários, por isso vou enrolar mais um pouquinho e contar os detalhes da viagem, do casório, e dos passeios.
Como foram nove dias de viagem, vou dividir em três partes, pra não ficar muito longo e cansativo.
Saímos de Cracóvia às 10 da manhã, no sábado, e só chegamos em Gdynia às 17:36. A viagem é bem desgastante, mas pelo menos correu tudo bem.
Ficamos instalados em Gdynia, porque é nessa cidade que mora o sr. Stanislaw, amigo de longa data do meu pai, e que iria nos ajudar com sugestões de passeios, além de algumas informações úteis. Ele e a esposa foram nos buscar na estação de trem e nos acompanharam até o albergue.
O Ricardo estava louco para ir até a praia, por isso só deixamos as coisas e fomos pra lá. Como nós não conhecíamos a cidade, chegar na praia foi um grande desafio, mas felizmente conseguimos... Depois de andar muito, é verdade.
Estava muito frio, e eu nem me arrisquei a colocar o pezinho na areia, mas tinha bastante gente na praia vendo o mar, todos bem encapotados, pra agüentar o vento gelado. O Ricardo aproveitou pra dar uma corrida à beira mar.
No domingo acordamos bem cedo porque iríamos visitar o castelo Malbork, que pertenceu à ordem dos cavaleiros Teutônicos.
A viagem até o castelo levou mais ou menos 1h10min, tempo que eu aproveitei pra “ler” o jornal.
O castelo é enorme, ficamos horas visitando cada uma das alas e jardins. Tiramos “trocentas” fotos de todos os ângulos possíveis. Saindo de lá ainda visitamos uma feirinha medieval que estava acontecendo do lado de fora do castelo.
Voltando para Gdynia, passamos em um restaurante ali perto da estação central mesmo, porque estávamos morrendo de fome. De sobremesa, comi uma mousse de morango com chantilly delicioso.
Na segunda-feira já tínhamos combinado de almoçar na casa do sr. Stasiek. Antes do almoço fomos com ele até um morro, de onde se tem uma bela vista da marina e da praia.
Depois do almoço fizemos um passeio pelo centro de Gdynia. Aproveitamos para visitar o píer e o aquário que fica logo ao lado. Passamos o final do dia na praia, onde pudemos aproveitar o pôr-do-sol, apesar do frio.
Aproveitamos a terça de manhã para visitarmos alguns barcos que ficam ancorados no píer da cidade. O primeiro deles um navio militar, e o segundo um navio-escola.
Almoçamos num barzinho ao lado desses barcos. Experimentamos peixe, afinal não tem como ir pra praia e não comer peixe.
Às 14hs encontramos com o Adam, neto do sr. Stasiek. Nós já tínhamos conhecido ele no dia anterior. Ele nos acompanhou até Sopot, cidade vizinha a Gdynia.
Em Sopot passeamos pelo centro e visitamos o píer, enorme, todo feito em madeira. Como o tempo não estava ajudando muito, achamos que o melhor era ficar batendo papo em algum dos milhares de barzinhos que tem na cidade.
No dia seguinte fomos para Gdansk. Essa é a maior das três cidades, e também a mais antiga delas. Andamos o dia inteiro tirando mais um batalhão de fotos de todos os pontos possíveis. Passamos pela torre da prisão, pelos portões da cidade, a rua principal (Dluga), a prefeitura, além de algumas igrejas e o antigo moinho (que hoje abriga um shopping).
Para o nosso último dia na região tínhamos reservado uma programação mais leve. Fomos até Gdansk de novo, mas dessa vez para Oliwa, um bairro afastado do centro, famoso por seu parque e sua catedral.
Na catedral assistimos a uma apresentação de órgão de mais ou menos 20 minutos. Adorei, e fiquei imaginando como seria ouvir as músicas do “Fantasma da Ópera” tocadas nesse órgão... De arrepiar os cabelos!
Passeamos pelo parque e tiramos fotos de todos os tipos de flores que encontramos. Além de fazer quase um “book” dos patinhos que estavam por lá.
Depois desse passeio fomos jantar na casa do sr. Stasiek. Depois dos deliciosos morangos com creme, que comemos de sobremesa, agradecemos toda a ajuda que eles nos deram nesses nossos dias por lá.
Voltamos para o albergue, arrumamos as malas e fomos dormir cedo, já que teríamos que madrugar pois o trem para Varsóvia saía às 6:11.

Fotos de Gdynia
Fotos do Malbork
Fotos de Sopot
Fotos de Gdansk
Fotos de Oliwa

Sexta-feira, Junho 03, 2005

Novidades

Tenho muitas novidades. Muitas mesmo. Mas como eu adoro fazer um suspense, só vou contar as mais imediatas. Vou deixar pra contar o resto quando eu voltar de viagem.
Amanhã, dia 4, estaremos indo para Gdynia. Cidade onde mora o sr. Stanislaw, grande amigo do meu pai. Ficaremos lá até sexta, dia 10, conhecendo a região que fica no norte da Polônia.
Na sexta-feira vamos para Varsóvia, porque nesse mesmo dia, 10 de junho às 16 horas, eu e o Ricardo vamos nos casar!!! (Não se preocupem, eu não estou grávida. Explicações serão dadas no próximo post).
Lá em Varsóvia, encontraremos com os meus avós, que estão fazendo uma viagem “muito chata” pela Europa, e coincidentemente estarão na cidade na data da cerimônia.
Estaremos de volta no dia 12 de junho à noite. (Sem notícias desagradáveis dessa vez, eu espero).
Quando voltarmos, além de fazer o post sobre nossa “lua-de-mel”, darei as devidas explicações.