Faz tempo que a gente não aparece pra contar as novidades, né? E não é que a gente não tem feito nada, muito pelo contrário. Os últimos dias foram bem corridos e aconteceram coisas boas e ruins. Vou tentar contar tudo resumidamente pra não ficar cansativo.
No dia 4 de maio fomos de novo para Varsóvia, resolver mais uns assuntos (Para os curiosos de plantão; só conto tudo quando já tiver certeza. Pode ser uma superstição boba, mas pra mim nunca deu sorte espalhar pros outros coisas que “podem” acontecer). Tínhamos a intenção de ir pra Varsóvia no dia 2, mas como aqui dia 3 de maio é aniversário da constituição, e por isso feriado, muitas coisas estariam fechadas também na segunda.
No dia 8 de maio venceria o visto do Ricardo aqui na Polônia, e a maneira mais fácil de conseguir um novo, seria saindo do país e entrando de novo. Então, nessa última semana ficamos selecionando um destino para fazer uma viagem de fim de semana. Nossa intenção no princípio era ir pra Bratislava, capital da Eslováquia. Mas pesquisamos em vários sites, e não conseguimos chegar à conclusão se brasileiros precisariam pedir visto antes de entrar no país ou não. Por isso decidimos ir a Praga, capital da República Tcheca, onde nós já tínhamos pesquisado e sabíamos que o Ricardo não precisaria pedir visto antes de entrar.
Reservamos duas noites de albergue, compramos os bilhetes de trem, e embarcamos na sexta-feira à noite.
A viagem toda foi ótima, a cidade é linda e merece um post especial contando cada um dos detalhes dos lugares por onde passamos. Infelizmente esse post especial sobre Praga vai ficar sem fotos. E aqui começa a parte ruim das novidades.
Nossa viagem de volta a Cracóvia também foi feita durante a noite. O trem saiu de Praga às 21:20, com chegada prevista a Cracóvia por volta das 5:30. Eu e o Ricardo conseguimos pegar uma cabine vazia, e por isso deitamos, cada um em um banco pra dormir. Exatamente como tínhamos feito na ida. A cabine tem porta, mas não tem tranca, e a porta faz um barulho enorme quando se abre, e por isso toda vez que alguém abria a porta a gente acordava. Eu normalmente tenho o sono muito leve, mesmo em casa eu acordo com qualquer barulho, no trem, que não é muito confortável, e toda hora pára em alguma estação, não dá pra ter um sono pesado.
Nós dormimos um pouco até chegar na fronteira da República Tcheca com a Polônia. Lá acordamos porque os passaportes são conferidos, e é dado visto de entrada, saída, conforme o caso. Era o principal propósito da viagem, o Ricardo tinha que pegar um novo visto aqui da Polônia. Tudo correu muito bem. O oficial da República Tcheca carimbou a saída e o oficial da Polônia carimbou a entrada. Felizes da vida com a “missão cumprida”, deitamos de novo para dormir mais um pouquinho.
Algum tempo depois, abriram a porta da nossa cabine. Era um condutor do trem checando os bilhetes de novo. Depois disso, apagamos. Dormimos de uma forma que não foi normal. Eu me lembro ainda de ter acordado uma vez, olhado no relógio, eram 4:45, já era dia, e apaguei de novo.
Às 5:15 mais ou menos acordei de novo com porta da cabine sendo aberta. Pensei que fosse pra checar e bilhete de novo, por isso levantei e fui pegar os bilhetes na bolsa, mas para meu desespero ela não estava lá. Fiquei em pânico! Logo chegaram dois rapazes perguntando se nós éramos brasileiros, pois eles tinham encontrado a minha bolsa com os passaportes dentro. Mas a câmera digital, com todas as fotos de Praga e a minha carteira tinha sumido.
Uma outra cabine com turistas também foi roubada. Levaram uma câmera fotográfica digital e uma filmadora profissional, além de algum dinheiro que tinham numa carteira. Conversamos com um rapaz polonês que estava na cabine ao lado da nossa a respeito do ocorrido. Ele nos falou que esse tipo de crime tem sido cada vez mais comum nos trens poloneses. Usam um tipo de gás que faz com que as pessoas na cabine caiam num sono profundo, que não precisa durar muito, é só o tempo de entrar na cabine e recolher o que lhes interessa. Chegamos à conclusão de que provavelmente os próprios condutores do trem, que checam os bilhetes, devem estar envolvidos. Afinal, como os ladrões saberiam quais as cabines em que estão os turistas, que normalmente tem câmeras e grandes somas em dinheiro? Esse mesmo rapaz nos disse que sempre que viaja de trem, principalmente durante a noite, leva um tipo de corrente com alarme para travar a porta enquanto ele dorme. Só assim mesmo pra dormir tranqüilo.
Chegando em Cracóvia, ao invés de descansar e contar pra todo mundo os detalhes da nossa linda viagem, fomos fazer boletim de ocorrência em uma delegacia.
Minha segunda viagem à Europa e meu segundo boletim de ocorrência, cada um em um país diferente. E no Brasil que é o “país perigoso” que a gente ouve falar, nunca me aconteceu nada...
Bom, amanhã é meu aniversário, então o dia vai ser um pouco corrido, afinal mesmo longe de casa eu vou comemorar, por isso não vai dar tempo de escrever o post sobre Praga. Mas no máximo esse final de semana eu escrevo.