Quarta-feira, Abril 27, 2005

Bate-volta em Varsóvia

Tínhamos uns assuntos para resolver em Varsóvia, relacionados com a nossa provável ida para Londres em junho.
Nossa idéia era ter ido na quinta-feira passada (21/04) a noite e voltar no domingo, assim, além de resolver nossos assuntos, ainda faríamos um turismo básico. Mas infelizmente não conseguimos arranjar albergue. Então fizemos um bate-volta mesmo.
Saímos de casa no domingo por volta das 21:30. Eu já tinha visto na Internet que o ônibus saía à 0:15, mas como ainda precisávamos comprar o bilhete, resolvemos sair mais cedo.
Chegamos na estação central pouco mais de 22 e todas as bilheterias estavam fechadas. Até aí nada de pânico, porque eu tinha visto no site que era possível comprar o bilhete do próprio motorista. O pior era esperar até a meia-noite e correr o risco de o ônibus estar lotado. Mas não tinha outro jeito.
Sentamos num banco e ficamos esperando. Até que às 23 horas um funcionário pouco simpático começou a trancar as portas da estação e botar todo mundo pra fora. Tentamos alguma comunicação, em vão, então tivemos que sair.
Ficar do lado de fora esperando não foi tão ruim quanto parece. Estava um pouco frio, mas tinha algumas pessoas esperando outros ônibus.
Nosso ônibus chegou pouco depois da meia-noite. Conseguimos comprar os bilhetes e embarcamos.
A viagem para Varsóvia leva 5 horas e 45 minutos. Talvez se o ônibus fosse leito, como aqueles que eu ia para o Paraná, dormir fosse uma opção. Não era. Tentamos dormir, mas faltava espaço, e era impossível encontrar uma posição confortável.
Chegamos em Varsóvia às 6 da manhã. Moídos, apertados, com muito sono e muita fome, e pra piorar estava muito frio!
Depois de dar uma passadinha no toalete e de descartar a possibilidade de tomar café na lanchonete da estação, decidimos comprar um mapa da cidade. Pedimos informação de qual ônibus ia para o centro e fomos embora.
Estamos acostumados com Cracóvia, que tudo é pertinho, mas em Varsóvia, as distâncias são sempre maiores. Até os pontos de ônibus ficam bem mais distantes uns dos outros.
Tínhamos esperança de encontrar algum café ou coisa parecida no centro velho, mas às 7 da matina, só nós três estávamos lá. Nem as pombas que aparecem em todas as fotos dos guias ainda tinham acordado.
Decidimos então ir caminhando até a Embaixada Britânica, que ficava meio longe de onde estávamos, mas era a nossa chance de achar algum lugar pra comer. Encontramos um velho e bom McDonald’s no caminho e aproveitamos para nos abastecermos.
Chegando na Embaixada, vimos escrito em uma placa que a seção de vistos era em outro endereço. Procuramos no nosso mapa e fomos pra lá. Chegamos lá às 10:30 e descobrimos que essa seção só funciona das 8:30 às 10. Obviamente ficamos fulos da vida, já que uma das principais razões de termos ido a Varsóvia era tirarmos algumas dúvidas na Embaixada.
Fomos então para a Embaixada Brasileira. Ficamos lá um tempão, mas não conseguimos resolver absolutamente nada. Só conseguimos ficar com mais dúvidas.
Nossa intenção depois disso era fazer um passeio, conhecer um pouco mais da cidade, mas estávamos tão cansados da viagem e tão desanimados que achamos melhor voltar.
Pegamos um trem às 16:30 e às 21:30 já estávamos de volta a Cracóvia.

Para ver algumas fotos do nosso passeio, clique aqui.

Sábado, Abril 16, 2005

May The Force Be With Us

Eu sei que isso não tem a ver com a história da Polônia, nem com passeios, nem com nosso cotidiano em Cracóvia. Mas é sim, uma conquista pessoal!!!
EU JÁ COMPREI MEU INGRESSO PARA ASSISTIR “STAR WARS – EPISÓDIO 3”.
Sim, nós fomos ao cinema ontem e, logo na saída, avistamos o cartaz do filme e um aviso dizendo que haverá uma sessão especial, na madrugada do dia 18 para o dia 19, às 00:01. Devido ao fuso horário, nós iremos assistir ao filme primeiro que os americanos, e boa parte dos países ocidentais.
Fã é fã, e com isso, completarei a nova trilogia com mais uma dado interessante. Terei assistido a cada um dos filmes em um país diferente.
“Episódio 1” – Brasil. “Episódio 2” – Inglaterra. “Episódio 3” – Polônia.

Bom, é isso aí! May the force be with you!

Terça-feira, Abril 12, 2005

Lei de Murphy

O sistema de cobrança dos meios de transporte aqui da Polônia jamais funcionaria no Brasil.
Aqui em Cracóvia não tem metrô. Só ônibus e bonde. O bilhete é o mesmo para os dois. Esses bilhetes são vendidos em quiosques, lojinhas e bancas de jornal. Mas também é possível comprar em algumas máquinas dentro dos bondes mais modernos ou ainda com os motoristas.
Existem vários tipos de bilhete. Tem os que são válidos por uma viagem (como os passes normais do Brasil), os que são válidos por uma hora e os que são válidos por 24 horas. Esses todos podem ser comprados em todos esses lugares que eu mencionei.
Podem-se encontrar esses bilhetes nas versões: normal, estudantes e aposentado. Os bilhetes de estudante são exatamente metade do preço da passagem normal equivalente, e as passagens de aposentados são mais baratas que as normais, mas não chegam a ser metade do preço.
Digo que esse sistema de cobrança não funcionaria no Brasil porque simplesmente não existe cobrador. Ou seja, você compra o seu bilhete aonde for mais conveniente e valida ele assim que entrar no ônibus ou bonde. É a partir da data e hora que aparecer no seu bilhete que ele começa a ser válido.
É lógico que aqui é civilizado, mas nem tanto. Para controlar a malandragem existem os fiscais, que surgem do nada segurando um crachá e pedindo para verificar o seu bilhete. Se eventualmente pegam alguém sem bilhete válido, dá-lhe multa!
Logo que chegamos aqui na Polônia e fomos comprar bilhetes, a gente obviamente comprou os bilhetes de estudante, afinal temos as carteirinhas de estudante internacionais. Quando a gente conheceu os meninos (Jacek e Tomek) eles falaram pra gente que achavam que essas carteirinhas não davam direito à passagem de estudante. Mas a gente falou que quando a gente foi comprar pela primeira vez, tínhamos mostrado essas carteirinhas. Além disso, já havíamos sido parados pela fiscalização e eles só tinham pedido os bilhetes, e não as carteirinhas. Então a gente continuou comprando bilhetes de estudante.
Tínhamos ouvido falar que era possível comprar bilhetes com uma validade maior, de até um mês. Mas pra isso a gente já tinha que ter endereço fixo, e precisava ir num lugar especial pra comprar esses bilhetes. Eles acabavam saindo bem mais barato do que comprar todos os dias. Mas no começo, com a correria de procurar apartamento, acabamos deixando esses bilhetes de lado e comprando os de estudante válidos por 24 horas...
No dia da mudança para o nosso apartamento, chamamos um táxi-van. Tínhamos muita bagagem, e o Jacek e o Chris vinham pro apartamento pra dar uma força com as malas. Então, deixamos que os homens fortes fossem no táxi e eu e o Yuri iríamos de bonde.
Compramos o bilhete de sempre, entramos no bonde, validamos o bilhete e sentamos. Não deu nem dez segundos, vem o fiscal. Entregamos os bilhetes, como sempre. Só que pra nossa surpresa dessa vez, ele pediu as carteirinhas. Eu tinha entendido de primeira, mas fiz que não entendi e perguntei, em inglês, o que ele queria. Ele repetiu, então entregamos as carteirinhas. Ele explicou, em inglês, que nós não poderíamos comprar bilhetes de estudante com essas carteirinhas, e pra nossa sorte deixou a gente continuar a viagem. Acreditamos que tivemos sorte porque no mesmo bonde ele tinha encontrado um rapaz sem bilhete, além disso, acho que pra turistas eles devem dar uma folga...
No dia seguinte compramos bilhetes normais, e fomos para o centro fazer nossos bilhetes válidos pelo mês. O que sem dúvida foi uma aventura, porque a pessoa que nos atendeu, obviamente não sabia falar inglês. Mas eu conseguia entender as coisas que ela pedia: endereço, nome, data de nascimento... E ia falando ou entregando documentos que contivessem as informações. Saímos de lá vitoriosos com os nossos bilhetes normais válidos por um mês.
Vocês devem estar se perguntando o que o título desse post tem que ver com essa história toda. Eu respondo. É que desde que compramos esses bilhetes, nunca mais fomos parados pela fiscalização.
Chegamos aqui no dia 8 de fevereiro, e nos primeiros dez dias aqui na Polônia praticamente todos os dias a gente era parado pela fiscalização. Desde o dia 18 de fevereiro, que foi o dia que a gente comprou os bilhetes, nunca mais.
Já compramos os bilhetes pela segunda vez no dia 17 de março, e agora dia 17 de abril eles vencem.Estamos num dilema. Porque dia 17 é domingo, e nós dificilmente vamos para o centro. Podemos comprar os bilhetes na semana anterior, mas explicar para a vendedora que queremos que esses bilhetes sejam válidos a partir de segunda-feira, dia 18, vai ser uma outra aventura. E se formos na segunda-feira, quando não temos mais bilhetes válidos, com certeza seremos parados pela fiscalização! LEI DE MURPHY!
Para evitar esse tipo de problema, se optarmos por comprar os bilhetes na segunda, vamos comprar os bilhetes válidos para uma viagem no quiosque aqui perto. Pelo menos pra conseguir chegar no centro com a consciência tranqüila...

Segunda-feira, Abril 04, 2005

Polônia chora a morte do Papa

Eu estive lá, na vigília de sexta-feira, reunido com tantos outros poloneses que oravam pela vida de Karol Wojtyla. Diferentemente do resto do mundo, a Polônia, terra natal do Papa, ainda não chorava. Ao invés, cantava em uníssono as músicas preferidas do Santo Padre, na expectativa de restabelecer o convalescente ícone da nação.
A Polônia, como muitos sabem, é um país extremamente católico e, nada mais normal, tinha o João Paulo II como herói nacional. Seu rosto estampa selos, quadros e livros. Também está em estátuas, monumentos e praças. Possivelmente habita a casa de qualquer família polonesa na forma de retratos e calendários. Ou seja, Karol Wojtyla era o rosto dessa nação.
E pude constatar de forma plena quando eu decidi ir para o local onde a população tinha se concentrado para rezar por ele. Lá, para a minha surpresa, estavam reunidos jovens, crianças, adultos e idosos, sem distinção de classe social. Pessoas que iriam passar a noite ali, esperando que suas orações pudessem atingir o querido Papa que agonizava no hospital.
Eu, tocado pela devoção das pessoas, me uni ao coro que entoava as músicas e passei a fazer parte daquela comunhão de vozes que ecoava noite adentro. O lugar da reunião aconteceu na frente da janela que João Paulo II costumava aparecer quando estava em Cracóvia. Havia uma mistura de luzes também. Flashes de câmeras fotográficas e pálidas luzes de vela iluminavam a vigília.
A televisão, por sua vez, já tinha dedicado toda sua programação à ascensão e vida do Papa. Suas viagens ao redor do globo, seus encontros com líderes mundiais e suas inúmeras missas eram exaustivamente reprisadas. Todos os canais, estatais e privados mostravam flashes diretos do Vaticano e de cidades na Polônia.
O domingo amanheceu triste e melancólico. O dia estava lindo, mas Cracóvia chorava a morte do amado e saudoso Karol Wojtyla. Muitas bandeiras polonesas, com tiras pretas anexadas a elas, prestavam homenagem ao Papa. E hoje, segunda-feira, centenas de pessoas ainda estavam reunidas em frente a janela que João Paulo II costumava acenar para a sua querida Cracóvia. Milhares de velas ainda crepitavam como a chama que não quer se extinguir.
João Paulo II, o simpático polonês que saiu da pequena Wadowice para se tornar Papa, faleceu. A Polônia chora sua perda, mas a imagem do doce senhor que acenava do alto da janela se perpetuará para sempre. Pois, assim como a chama que não quer se extinguir, o carinho dos poloneses por Karol Wojtyla continuará por muitos e muitos anos.