Quarta-feira, Março 30, 2005

Nossa Páscoa em Gliwice

Fomos convidados pela Sławka e pelo Andrej a visitá-los no feriado de Páscoa. Adoramos a idéia, por isso aceitamos de imediato o convite.
A Sławka nos pediu para que chegássemos lá no sábado bem cedo, por isso teríamos que pegar o trem que saía às sete horas.
Acordamos às 5, tomamos café, pegamos o bonde às 6:09, precisamente e às 6:30 já estávamos na estação.
Esse trem era bem diferente do que pegamos para Auschwitz. Ele tinha primeira e segunda classes, e era bem mais rápido, além de fazer bem menos paradas.
A viagem até Gliwice demora duas horas. Chegamos lá às 9 e pouco depois o Andrej chegou para nos buscar.
No caminho para a casa dele, passamos para pegar o pai dele, o Sr. Czeław Pusz, que iria tomar café da manhã com a gente.
Conhecemos o filho deles, o Martim, que tem 11 anos. Pena que ele não falava inglês. Todos eles fizeram com que nos sentíssemos muito à vontade na casa.
Depois do nosso café da manhã o Jacek apareceu e saímos para dar uma volta pela cidade. Conhecemos o centro em alguns minutos, afinal, não é uma cidade muito grande para os nossos padrões.
Tínhamos combinado de encontrar o Sr. Pusz e o Martim às 14 na catedral para começarmos a conhecer os costumes poloneses.
Essa cerimônia na catedral é muito comum. Normalmente as crianças vão com suas famílias na igreja levando uma cestinha com alguns alimentos que serão consumidos no domingo, para que estes sejam abençoados pelo padre. A cerimônia é bem curta, dura de 15 a 20 minutos e acontece a cada meia hora durante todo o sábado.
Voltamos para a casa do Andrej e assistimos ao filme preferido do Martim antes do jantar, “Das Boot”. O título em português é “O Barco – Inferno no Mar”. Esse filme é inspirado em um livro que deve ter umas 700 páginas, e o pequeno Martim já leu. Isso é Europa. Quando eu tinha a idade dele só ficava assistindo Xuxa.
O café da manhã do domingo de Páscoa nem deveria se chamar café da manhã. Começou com uma oração e a repartição dos ovos e cumprimentos de ‘Feliz Páscoa’ entre todos. Depois uma sopa, depois muitos frios e ovos, pães...Quando já estávamos explodindo, a Sławka mencionou que essa era só a primeira parte, ainda tinha a segunda, os doces.
Depois desse “almoço”, fomos fazer um passeio pela cidade com o Sr. Pusz. Visitamos a igreja mais antiga da cidade, com quase 800 anos, alguns monumentos e a praça central.
Na seqüência, fomos visitar a casa que a Sławka e o Andrej estão construindo. Fica num lugar bem tranqüilo, em outra cidade, à 15 minutos de carro de Gliwice. Ela já está quase pronta, talvez eles se mudem pra lá em julho. A casa é linda e o lugar que ela fica é mais lindo ainda. Depois de visitar a casa fomos todos dar um passeio no bosque que fica ao lado.
Na volta desse passeio fomos para a casa do Jacek, onde conhecemos os pais dele, que também foram muito simpáticos e nos ofereceram muuuuuita comida. O pai dele tentou nos embebedar com um licor de cerejas caseiro delicioso. Felizmente não conseguiu, mas que estava bom, estava.
Quando voltamos, assistimos a uma comédia polonesa de título “Meninos não choram”. Para nosso desespero, não tinha legenda em inglês, então o Andrej explicava o que acontecia nas cenas principais. Eu fiquei feliz porque consegui entender vários diálogos.
No dia seguinte uma surpresa nos aguardava. Aqui na Polônia, essa segunda-feira depois da Páscoa é conhecida como “segunda-feira molhada”. As pessoas jogam água uma nas outras, até mesmo sair na rua é arriscado. Achamos que nossos anfitriões não teriam coragem de fazer isso com a gente. Nos enganamos.
Já tínhamos visto as pistolas de água do Martim, e pudemos sentir sua eficiência. Ainda bem que foi só um jato de água, para manter a tradição.
Depois do café fomos fazer um passeio de carro com o Andrej e o Jacek pela região.
É uma região tipicamente industrial. Passamos por muitas fábricas e minas de carvão, muitas delas desativadas. Visitamos também os bairros dos trabalhadores. Os prédios são bem antigos, normalmente têm mais de 100 anos, e a maioria deles não têm banheiro no apartamento.
Nessa noite, depois do jantar, fomos ver algumas fotos do Andrej e da Sławka. Eles viajam bastante, tanto a trabalho quanto a passeio, e o Andrej ainda por cima é alpinista.
Vimos fotos de uma de suas escaladas na Califórnia. Uma parede vertical que tem em torno de 1000 metros, e levou três dias e meio para escalar. Além disso, vimos fotos da Índia, Hong Kong, Córsega, montanhas da Itália...Lindas!
Na terça-feira acordei com dor de estômago, provavelmente resultado da comilança dos dias anteriores. Fiquei na casa do Andrej à base de chazinho enquanto os meninos foram na casa do Sr. Pusz. Lá eles fizeram um degustação de vodka ucraniana e ainda ficaram aprendendo palavras em vários idiomas com o Sr. Pusz, que fala nove idiomas diferentes.
Pegamos o trem das 15:06 e voltamos, com o Jacek, para Cracóvia. Adoramos o nosso feriado de Páscoa tradicionalmente polonês!

Quinta-feira, Março 24, 2005

Auschwitz-Birkenau

Estação de trens de Cracóvia, 9:11 da manhã de sábado do dia 05 de março de 2005. Destino: a cidade de Oświęcim. Este nome pode, para muitos, ser completamente desconhecido, mas seu equivalente em alemão traz recordações nada saudáveis para o mundo.
Auschwitz, o campo de concentração que tirou a vida de milhões de pessoas durante a II Guerra Mundial, dista apenas uma hora e quinze minutos da cidade de Cracóvia. E, junto com sua extensão, Birkenau, foram nosso terceiro destino turístico na Polônia.
Claro que, para nós, não foi uma viagem prazerosa. A vontade de conhecer locais tão importantes no cenário global era grande. Mas, ao mesmo tempo, a atmosfera melancólica e carregada do local tornou o passeio muito mais uma viagem através da história do que “apenas” mero turismo.
Logo na entrada de Auschwitz temos os seguintes dizeres: Arbeit Macht Frei (trabalho traz liberdade), o que, como foi diversas vezes retratado, não era uma expressão verdadeira. A mera passagem por entre os portões já é capaz de alterar o humor dos viajantes.
Vale citar que, como vocês verão nas fotos, nossa visita ocorreu em pleno inverno. O que serviu para recriar o ambiente hostil em que todos aqueles prisioneiros conviveram. É impossível não se imaginar naquela situação, cercado por grades e cercas eletrificadas.
Nós, acertadamente, visitamos o lugar ainda na baixa temporada de turismo. O que nos deu muita liberdade para caminhar calmamente pelas ruas de Auschwitz, e visitar a maior parte dos prédios que contém pertences dos prisioneiros, objetos da época e documentos históricos.
Aliás, esta é uma das partes mais chocantes da visita. Dentro dos itens expostos temos: malas dos condenados, pertences de uso pessoal, roupas, e cabelos das vítimas mulheres, que lhes eram cortados depois de mortas para serem vendidos pela SS.
Visitamos o conhecido “Bloco da Morte”, local em que as sentenças de morte eram executadas. Além disso, o prédio ainda abriga celas especiais em seu subsolo. Ali, os prisioneiros eram condenados a morrerem por inanição, ou, eram encarcerados nas Standing Cells (celas nas quais as pessoas eram obrigadas a passar horas e, até mesmo, dias em pé).
Após algumas horas em Auschwitz, nós decidimos ir para Birkenau. Pegamos um táxi que nos guiou por três kilômetros até chegarmos no imenso e desolado plano que engloba o campo de concentração. O clima era ainda mais inóspito, já que a começara a nevar e o frio “cortava até a alma”.
Birkenau nada mais era do que o destino final de milhões de judeus. Todos já imaginavam o que lhes aguardava assim que lá desembarcavam. Parte dos trilhos originais que levavam os trens ainda estão preservados, assim como os barracões que abrigavam os prisioneiros. As condições de vida eram deploráveis. As pessoas dividiam beliches que abrigavam de quatro a cinco pessoas, e utilizavam-se de latrinas espalhadas dentro do próprio galpão.
Mas o que mais choca em Birkenau são as ruínas das câmaras de gás. Os nazistas, em sua fuga e na tentativa de apagar qualquer vestígio do crime que cometeram, explodiram-nas. Assim como destruíram muitos documentos e evidências.
Próximo às ruínas, está localizado o Monumento às Vítimas do Holocausto. Onde foi comemorado, em janeiro de 2005, 60 anos de libertação do complexo Auschwitz-Birkenau. Ainda pudemos encontrar algumas flores e velas deixadas em homenagem àqueles que lá pereceram.
Já no final da tarde, caminhando por entre os trilhos e, com a neve caindo, nós percorremos o caminho que o trem fazia quando desembarcava os que estavam condenados a serem liquidados nas câmaras de gás. Novamente, não pudemos deixar de sentir a atmosfera sombria e triste. Decidimos então encerrar nossa viagem e pegar o trem de volta para a calorosa Cracóvia.
Ah, não podemos esquecer de agradecer o Jacek. Não só pela companhia, mas pelas explicações que ele nos forneceu durante toda a jornada. Valeu Jacek!!!

Domingo, Março 20, 2005

Wieliczka

Fomos para Wieliczka num sábado. O dia estava bem frio, mas mesmo assim não desanimamos.
Para quem não sabe, Wieliczka é uma cidadezinha ao lado de Cracóvia, famosa por sua mina de sal.
Na avenida aqui perto de casa passa um ônibus que leva para Wieliczka. Pegamos ele mesmo, apesar de nem sabermos aonde tínhamos que descer.
No caminho decidimos que iríamos descer no ponto final. E assim foi, só que chegando lá não tinha nenhuma placa indicando o caminho para a mina, e nem ninguém que pudesse dar esse tipo de informação em inglês.
Andamos um bom tanto até achar um hotel. A mocinha que nos atendeu disse que falava inglês, mas na hora de dar as instruções para chegarmos na mina, ela descobriu que o inglês dela não dava conta. Ela deu as informações em polonês, mas aí foi o meu polonês que não deu conta de entender tudo que ela dizia.
Seguimos caminhando na direção que julgamos ser a correta, mas ainda assim nada de placas indicando o caminho com certeza.
Resolvemos então entrar em um mercadinho para pedir direções. A moça que nos atendeu obviamente não falava inglês, mas ela entendeu o que a gente queria e deu uma explicação, em polonês, bem fácil de entender.
Era só seguir reto uma ruazinha ao lado do mercadinho que chagaríamos numa rua com algumas placas indicando o caminho.
Essa rua que tinha a sinalização, era uma das principais da cidade, e para chegar na mina, passamos bem pelo centro, cheio de prédios antigos.
De lá foi fácil chegar na mina de sal. Pegamos uma visita guiada, com um guia que falava inglês.
A mina de sal é um grande complexo escavado, que vai do primeiro ao nono andar, nas profundidades que variam de 64 a 327 metros. Consiste em mais de 300 quilômetros de galerias e em torno de 3000 câmaras. Ela foi explorada desde meados do século XVII até o ano de 1996.
A visita à mina começa com uma escada que parece não ter fim. Pelo menos é pra baixo que “todo santo ajuda”.
Visitamos várias câmaras, desde as mais antigas até as mais novas. O guia foi contando histórias que envolviam a mina, e como ela era explorada no começo, e o que foi mudando com o tempo. Além disso, mostrava várias esculturas feitas de sal.
Sem dúvida a câmara que mais impressiona é a da capela de St. Kingas. É enorme, possui várias esculturas, todas feitas de sal, e lindíssimos painéis esculpidos nas paredes.
Já quase no final do passeio, passamos por um restaurante e paramos para fazer uma boquinha.
Na volta do passeios estávamos podres! Também pudera, passamos o dia inteiro “camelando”. Mas sem dúvida foi um passeio que valeu a pena.

Sexta-feira, Março 18, 2005

Passeios pelo castelo Wawel

Logo que chegamos em Cracóvia, o lugar que mais nos chamou a atenção foi o Wawel, aquela construção enorme, bem no centro da cidade.
No nosso segundo dia na cidade fizemos um passeio em volta do castelo, que fica numa colina às margens do rio Vístula.
Nosso primeiro passeio dentro do castelo foi alguns dias depois. Esse passeio foi mais um reconhecimento geral do lugar. Nesse dia não chegamos a visitar nenhum dos edifícios do castelo, nem as exibições. Ficamos tirando fotos feito loucos, de todos os ângulos possíveis.
Já a nossa segunda visita ao castelo foi bem mais completa. Nesse dia apenas duas exposições estavam disponíveis. A primeira que fomos chamava-se Lost-Wawel (Wawel Perdido).
Nessa exposição pudemos ver principalmente algumas relíquias que foram encontradas em escavações no próprio castelo, tais como alguns azulejos originais e detalhes decorativos das fachadas. Além disso, pudemos ver, através de desenhos e maquetes, a evolução das construções do castelo, e alguns edifícios que já foram destruídos.
A outra exposição era a dos tesouros e armas. Os meninos adoraram a parte das armas. Identificaram vários tipos de espadas, escudos, elmos, armaduras, e mais “um milhão” de nomes que só eles sabem.
Depois dessas exposições fomos fazer uma visita à catedral que fica dentro do castelo. Linda! Enorme, toda cheia de detalhes. Ainda dentro da catedral, fomos na torra do sino. Não sei quantos degraus pra cima, em uma escada estreitinha!!! O sino é enorme. Deve fazer um som lindo. E a vista lá de cima é fantástica. Dá pra ver a cidade toda.
Depois de visitar o sino, fomos para a cripta da catedral, onde estão sepultadas algumas personalidades históricas importantes. Não sou muito chegada em criptas, ainda mais cheia de tumbas. Talvez se eu conhecesse a história dessas pessoas, desse mais importância, mas como não conheço, quis sair de lá rapidinho.
Ainda falta visitar algumas exposições, que só vão estar disponíveis a partir do final de março. Então com certeza voltaremos lá algumas vezes.

Segunda-feira, Março 14, 2005

Nossa busca por um apartamento.

O Jacek foi muito gentil em convidar a gente para ficar no apartamento dele. Mas a gente sabia que não ia poder ficar lá por muito tempo.
O apartamento dele é bem grande e fica bem próximo do centro. Tinha espaço pra gente ficar lá porque três das cinco pessoas que dividem o apartamento com ele estavam viajando, e uma delas ainda ia viajar.(Era época de férias) Mas dentro de uma semana, dez dias no máximo, eles estariam todos de volta, já que as aulas iriam começar.
Tínhamos então, uma corrida contra o relógio para achar o nosso cantinho. O Jacek e o Tomek ajudaram pra caramba. A gente comprava jornal, cartão telefônico e eles iam ligando para os telefones dos anúncios, fazendo as perguntas necessárias e marcando visitas. No primeiro dia de visitas iríamos conhecer três apartamentos. Todos ficavam mais ou menos na mesma região.
Chegamos no primeiro. O ponto que se descia do bonde era bem perto do prédio, o que é muita vantagem principalmente em dias frios. O bairro em si parecia bem tranqüilo, apesar de ter muitos prédios. Tinha bastante área verde e de lazer pra atender a quem mora na região. O apartamento era pequenino, mas arrumadinho. Os móveis eram visivelmente de pelo menos trinta anos atrás, mas estavam todos em bom estado.
Tínhamos mais de duas horas até a próxima visita e o lugar ficava bem próximo de onde estávamos. O Tomek então nos convidou para irmos até a casa dos pais dele, que era ali perto, pra tomar um chá e esperar o tempo passar.
Os pais dele foram muito simpáticos. Foi ótimo ficar lá, principalmente porque eles têm dois gatos e dois cachorros, todos muito carinhosos. Deu pra matar um pouco a saudade da alegria que esses bichinhos dão pra gente.
Fomos então para o segundo apartamento. O prédio era novo, mas ao contrário do primeiro, não tinha elevador. O apartamento em si era bom, mas não gostei muito não. Não tinha máquina de lavar, o que era extremamente necessário. Achei o apartamento meio frio, impessoal, sei lá. Não gostei, e olha que era o mais caro de todos.
A última visita do dia era só mais tarde, e o Jacek ia com a gente porque o Tomek tinha que trabalhar.
O prédio ficava longe pra caramba do ponto onde nós descemos. Isso já foi desanimando um pouco. O apartamento era o maior de todos, mas um dos quartos não tinha móveis. Teríamos que comprar várias coisas, além disso, num dos quartos, as paredes eram pintadas de laranja!!! Nunca iria conseguir dormir num quarto assim.
Eu por mim nesse dia mesmo já iria decidir pelo primeiro apartamento que a gente tinha visto. Mas achamos melhor procurar mais um pouco. Era arriscado. A gente podia achar coisa melhor, ou não, e ainda corria o risco de perder os apartamentos que a gente já tinha visto.
Seguiram-se dois dias de muita procura em jornais, muitos cartões telefônicos e nenhum sucesso. Ou os apartamentos eram caros demais, ou longe demais, ou não eram mobiliados, ou já tinham sido alugados. Isso quando não se tratavam de telefones de agências imobiliárias, que cobram o equivalente a um ou dois meses de aluguel pra procurar um apartamento pra você. No nosso caso isso não era um bom negócio.
Conseguimos agendar pra quarta-feira uma visita. O Jacek avisou que o lugar era um pouco longe, mas não, o lugar era beeeem longe. Só dava pra chegar de ônibus, e ele dava uma volta danada. Desanimador... Esse apartamento também era bem grande, mas também tinha um quarto sem móveis e paredes pintadas de verde limão! A vista da janela era linda, dava para um bosque numa colina. Mas mesmo assim não compensava, principalmente por causa da distância.
Saindo de lá decidimos que não dava mais para perder tempo. Tínhamos que decidir, e como a gente tinha gostado mais do primeiro apartamento, ficamos com ele mesmo.
Ligamos para o proprietário, passamos no apartamento e acertamos tudo.
Fizemos a mudança no dia seguinte, e eu finalmente pude desfazer minhas malas e ter acesso a todas as minhas roupas.

Quinta-feira, Março 10, 2005

Primeiros passeios, primeiras impressões

O albergue que a gente ficou não tinha café da manhã, e também não tinha nenhum lugar perto pra gente tomar um, então decidimos ir para o centro.
Comprar os bilhetes para o ônibus foi um suplício. Aqui, deve-se comprar o bilhete em quiosques, e depois validar esses bilhetes assim que se entra no ônibus ou bonde. Existem vários tipos de bilhetes, os válidos para uma jornada, 1 hora, os de 24 horas... E assim vai, tem até os de 1 mês. Esses bilhetes são válidos tanto para ônibus quanto para os bondes.
Como a gente nunca tinha ido para o centro de Cracóvia, obviamente a gente passou do ponto e teve que voltar. Mas isso acontece... Quando achamos o centro, vimos um quiosque de informações para turistas. Aproveitamos para pegar alguns mapas e tirar umas dúvidas.
Seguimos na direção sugerida e, para manter a tradição, resolvemos fazer nossa primeira refeição no Mc Donald’s.
Precisávamos ligar para nossas casas e queríamos comprar cartões internacionais pré-pagos como os que encontrávamos em Londres. Descobrimos que só poderíamos comprá-los no correio. Foi uma maratona tentar descobrir onde era e como se chegava lá, mas achamos o local e compramos os cartões. Um era um cartão telefônico comum, e o outro o cartão internacional. Qual não foi nossa decepção ao ver que ao preço de 20 zloty (valor pago pelo cartão), não conseguiríamos falar nem 10 minutos, já que o minuto para o Brasil custava 2,45 zloty. Por isso decidimos ligar a cobrar mesmo.
Depois de ligar para casa e acalmar nossas famílias, decidimos dar uma passadinha no Carrefour. Pegamos um bonde e descemos no ponto que o mocinho da central de informações turísticas tinha indicado. Ao invés do Carrefour, encontramos um shopping. Aproveitamos para dar uma volta e checar umas vitrines. Depois tentamos continuar indo de bonde, mas ele não ia na direção que precisávamos, então decidimos ir a pé mesmo.
O Carrefour daqui é bem parecido com o do Brasil. Aproveitei para comprar um casaco que estava em promoção. Paguei somente 30 zloty, e o casaco é impermeável (ideal para os dias de neve) e bem quentinho. Compramos também alguns petiscos para deixar no albergue, pra quando bate aquela fominha.
Voltar para o albergue seria um sufoco, se o senso de direção de quem vos escreve não fosse apuradíssimo. Arriscamos pegar um bonde que passava pelo centro, mas antes de chegar lá, reconheci um hotel que a gente tinha passado com o ônibus pela manhã. Saltamos ali mesmo e esperamos o nosso ônibus.
Quando chegamos no albergue, resolvi telefonar para o Jacek. Ele é primo da Slawka, e ela tinha me dado o telefone dele. Ele desde o primeiro momento foi muito simpático. Marcamos um encontro para o dia seguinte. Ele iria nos ajudar a achar um apartamento para alugar.
Nosso segundo dia seria bem agitado. Às 15 horas tínhamos o encontro com o Jacek, e de noite tinha uma festinha de despedida da Aline.
Depois do nosso café da manhã fomos para o centro. Aproveitamos para conhecer mais um pouco da cidade.
Fomos dar uma volta nas imediações do castelo Wawel. O castelo em si é enorme e fica numa colina às margens do rio Vístula. Demos a volta no castelo todo e aproveitamos para passear próximo do rio. Vimos os patinhos “andando sobre as águas” e também deslizando sobre o gelo. http://kamusiel.multiply.com/photos/album/4
Comemos no Mc Donald’s de novo, lá pelo menos a gente tinha certeza que ia conseguir pedir comida. Às 15 horas fomos nos encontrar com o Jacek na frente da igreja de Santa Maria. Conseguimos nos identificar nem sei bem como, mas o fato era que ele era bem diferente do que eu tinha imaginado. O Jacek veio junto com o Chris, que também foi bem simpático. Fomos com eles para um bar chamado Stary Port, (Porto Velho) pra que a gente pudesse conversar melhor. Lá no bar conhecemos um outro amigo deles, o Tomek, gente finíssima. Todos eles fazem faculdade de História aqui em Cracóvia. Explicamos pra eles a nossa situação e todos eles se propuseram a ajudar no que fosse possível. O Jacek nos convidou para que ficássemos no apartamento dele até que a gente arranjasse o nosso. Esse dia no bar, experimentamos uma coisa bem exótica. Cerveja quente; com xarope de gengibre, cravo e canela. Uma delícia!!!
Ficamos combinados de irmos para o apartamento do Jacek na manhã seguinte. Andamos com o Tomek pela cidade por mais um tempão. Ele nos levou para conhecer uma restaurante de comida da Geórgia (???). Muito bom, e o que é melhor, barato.
Então chegou a hora do encontro coma Aline. Nos encontramos na praça central e seguimos para um barzinho onde estava o resto do pessoal. Foi superlegal encontrar com ela depois de tanto tempo acompanhando o blog e falando com ela pelo Messenger. Pena que agora que a gente finalmente tinha chegado em Cracóvia, ela estava voltando para Varsóvia.
Voltamos para o albergue cedo, afinal no dia seguinte teríamos mudança cedo.

Domingo, Março 06, 2005

Começando pelo começo: A viagem

A viagem foi bastante cansativa, como se pode imaginar...
Nosso vôo saiu por volta das 18 horas de Guarulhos, com destino a Londres. Não tinha lugar para nós três ficarmos juntos no avião, então eu fiquei com o Yuri e o Ricardo ficou sozinho, bem longe... mas em compensação com bem mais espaço.
Assistimos filmes, comemos e dormimos, do jeito que era possível. Todo mundo sabe como é classe econômica...Babava de um lado, do outro, acordava...
Chegamos em Londres bem cedo, por volta das 7 horas da manhã. Os vôos que vêm do Brasil chegam no terminal 4, e o nosso vôo para Varsóvia sairia do terminal 1, então pegamos um ônibus da própria British Airways que faz esse translado. Já deu pra sentir um pouco do friozinho. Também deu pra perceber como aquele aeroporto é gigantesco.
Chegando no T1, fomos fazer a higiene matinal e procuramos um lugar pra sentar. O nosso vôo estava previsto para às 13 horas, então tínhamos bastante tempo... Visitamos as lojinhas e resolvemos fazer uma boquinha no Burger King. Aproveitamos para usar um pouquinho a Internet e logo já estava na hora de embarcar.
No vôo para Varsóvia conseguimos sentar juntos.Esse foi bem rápido, apenas duas horas e meia, só deu tempo de comer alguma coisa e tirar um cochilinho. Quando o avião estava pousando, deu pra ver que o chão estava todo branquinho...Uma emoção nos aguardava, a imigração.
Nos guichês, eu e o Yuri pegamos a fila dos polacos e pertencentes a países da União Européia, e o Ricardo pegou a fila dos “outros países”. Fiquei com receio do sujeito perguntar alguma coisa que eu não soubesse responder, mas ele só olhou a foto, depois imagino que ele tenha olhado o local de nascimento, porque ele fez uma cara estranha e disse alguma coisa, já me devolvendo o passaporte, que eu imagino que tenha sido: seja bem vinda, ou algo assim. O Yuri também saiu logo atrás de mim, mas o Ricardo demorou um pouco, pra mim parecia uma eternidade...
Depois ele me disse que a pessoa que atendeu ele não falou nada em inglês, e pediu alguma coisa que depois de um tempo ele identificou com sendo um documento com foto. Ele entregou a carteirinha de estudante e foi liberado.
Pegamos as malas e fomos saindo. Eu na frente e os meninos atrás de mim. Quando o mocinho da “Receita Federal” deles me viu com aquela quantidade de malas, já veio me cercando e falando (em polonês, óbvio), eu calmamente expliquei que não falava polonês, ele me pediu o passaporte e perguntou da onde eu estava vindo. Quando eu respondi, ele me pediu para que eu o acompanhasse. Gelei. Ele me perguntou se os dois rapazes estavam comigo, eu disse que sim e eles foram liberados. Daí me chega um sujeito falando em polonês, o outro rapaz explicou que eu não entendia polonês. Ele achou um absurdo uma polonesa não falar polonês, mesmo depois de eu ter dito que não tinha nascido na Polônia, e que eu entendia um pouco, só não falava. Ele pediu pra eu colocar as malas no raio-x. Achei um absurdo, tive que levantar o peso das minhas malas sozinha!!! Mas depois disso fui liberada.
Saindo de lá encontramos com o Radek, filho do meu avô. Ele nos acompanhou para fazer o check-in do nosso vôo para Cracóvia. Tivemos um probleminha com o excesso de bagagem, tínhamos o dobro do permitido para esse tipo de vôo, então pagamos uma grana preta. Mas no final deu tudo certo.
Depois das malas despachadas, fomos até um bar que ficava num hotel na frente do aeroporto. Saindo do aeroporto vimos o chão coberto de neve. Os meninos aproveitaram para congelar um pouco os dedos na neve.
Conversamos bastante com o Radek. Ele foi muito atencioso e simpático. Então chegou a hora de mais um embarque.
Esse último vôo foi rapidíssimo, apenas quarenta minutos e já estávamos em Cracóvia.
No aeroporto estavam nos esperando a Slawka e o Andrej, nora e filho de um conhecido da minha família. Eles já tinham arranjado um táxi bem grande para caber toda a nossa bagagem.
Fomos até o albergue com o táxi, mais o carro do Andrej. Chegamos lá quase 23 horas. Subir com as malas foi um sufoco. Depois de fazer o check-in, e agradecer muito a Slawka e o Andrej pela gentileza, fomos tomar uma ducha e dormir. Longo dia...
Quem quiser ver algumas fotos da nossa viagem é só clicar http://kamusiel.multiply.com/photos/album/3">aqui.

Terça-feira, Março 01, 2005

Eba, nós temos internet!!!

Oi, estou postando só pra avisar a todos que já temos internet em casa...
Preciso de alguns dias para organizar os próximos posts, com as nossas aventuras aqui na Polônia, bem detalhadas...
Aguardem